quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Crônicas da Crítica

Acordei assustado, pensei que era apenas um pesadelo, lembro de estar encolhido, devido ao ar condicionado frio, você tinha tomado todo o meu lençol. Levantei, me estiquei um pouco, meu coração ainda pulsava um pouco acelerado por causa do susto, olhei lá pra fora através da janela, parecia estar tudo bem, e então fechei a cortina para o sol não te acordar, te cobri, te dei um beijo e fui até a cozinha preparar alguma coisa pra comer.

A fome era tanta que nem comprei pão, fiz torrada, um pouco de café e mexi um ovos. Sentei a mesa enquanto via o jornal, as notícias passavam como se fosse um lance em minha memória, pareciam um filme em meu subconsciente, um dejavú, eram apenas tragédias, roubalheiras, corrupção ... desliguei a tv, resolvi esperar você acordar observando o céu, adoro admirar o quanto ele é infinito, imagino o que há por trás dele, se estamos seguros ou não, se temos amor lá fora, me perco nisso tudo, me admiro também no infinito dos meus pensamentos.

Um estrondo vem e interrompe minha conexão ao meu subconsciente ( era mais um prédio explodindo ou desabando pelo Rio? ), me limitei apenas em ouvi-lo, mas um filme veio em minha mente, me lembrei da tragédia do Pinheirinho, rezei por todas as almas, pedi a Deus que não voltassemos a 1984.

E o filme se sucedeu.

Tudo veio na minha cabeça, lembrei das pobres almas instaladas na região da luz de São Paulo, essas que serão expurgadas da região sem ao menos terem para onde ir, lembrei dos americanos, que influenciados pelas mega companhias, querem proibir o nosso direito de ir e vir, e eu sinceramente tenho muito medo, querem condensar a pseudoliberdade, o nosso único meio de sermos livres na nossa sociedade eles estão tentando censurar e manipular, assim como a televisão, que era pra ser um mecanismos de expressão e liberdade e agora se torna um mercado. Lembrei também das falcatruas que acontecem pelo país, e que as grandes indústrias da informação fazem questão de nos manterem informados como se fossem amigas do nosso povo, mas isso não mudará em nada, vejo que com denúncias ou não, tudo continua acontecendo.

Mas quem sou eu para falar, sou apenas mais um jovem rebelde, atormentado, sou mais um poeta que precisa de alguma inspiração, mas sinceramente não dá.

Mas bem que minha vó dizia ' o povo brasileiro é um povo acomodado' e vejo que na maioria das moradias desse país todos sabem disso, sabem de tudo de ruim que acontece no poder, pois a mídia faz questão de esfregar isso na cara de todos, mas muitos como a própria, não fazem nada para mudar essa situação e pior acabam se tornando complacentes com o crime. Vejo que nada muda, criminosos, como no caso do mensalão, vão sendo absorvidos devido ao atraso na Justiça Brasileira, e isso talvez, se perdure ao longo da história. Talvez seja isso o dejavú que me atormenta.

Na minha cabeça ouço gritos.

ABAIXO A DITADURA.

Mas me perguntam que ditadura é essa se os militares caíram faz mais de 20 anos.

A ditadura não é mais militar, agora ela se torna financeira e midiática.

Mas quem sou eu para falar, sou apenas mais um jovem rebelde, atormentado, sou mais um poeta que precisa de alguma inspiração, mas sinceramente não dá.

Ultimamente tenho visto as coisas com menos preocupação, tenho me desligado de tudo, vejo que talvez minha contribuição no futuro não seja o suficiente para mudar o país, vejo que talvez nunca seremos um povo feliz, ao menos é claro que tenhamos um belo churrasco com pagode, mulher bonita, cerveja e futebol no final de semana. Vejo isso com clareza na minha mente, esse é o retrato que eu tenho atualmente do meu país.Vejo que se fosse para expressar alguma coisa sobre meu povo falaria o seguinte diálogo que crio na minha cabeça:

- Acho que temos escolher melhor os candidatos que vamos votar .
- Com certeza, se aquele estuprador não tivesse saído antes, votaria para ele sair.
- Aonde ? No senado ?
- Não no BBB.
- Ah é, todo mundo tava falando disso no facebook ontem de noite.
- Todo mundo menos a Luiza que está no Canadá

Eu começo a rir alto, acho tão cómico esse diálogo.

Você chega na varanda me dando bom dia, diz que acabei acordando você com o volume alto dos meus risos, te conto tudo, você passa a rir junto comigo, aquele sorriso lindo, lindo. Você vem me dá um beijo no pescoço, me faz um cafuné, me dá a inspiração que eu preciso. Concluo que nem tudo é tão ruim assim e seu carinho, seu gracejo, seu sorriso e você, me fazem pensar ...

que lá fora ainda aparenta, estar tudo bem.





João Pedro Gomes.



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