Tudo tão frio lá fora. É como se tivessem virado o termômetro de cabeça para baixo, ou como se tivesse começado uma nova era glacial. Mas que se dane. Aqui dentro está tão quente, que começo a suar a cada movimento, nossos movimentos, que se encontram em sincronia, compassados, formando uma linda sequência. Tão louco. Quase como o momento em que me perco em seu beijo, seu carinho. Tudo é tão louco que quando retorno me encontro sem saída, sem dúvida, lúcido, preso a ti.
Tudo tão vazio lá fora, como se o bem tivesse ido embora. Mas que se dane. Aqui está tudo tão cheio, que não existe nenhum espaço de carne vazio, seu sexo se encontra preenchido, e você preenche o vazio existente dentro de mim. Você me dá amor. Tanto que no auge, me perco, enlouqueço, fico movido apenas por impulsos. Choco nossos corpos um contra o outro, me lanço em seu cabelo, quero sentir bem o seu cheiro, quero guardar sua essência, sua essência.
Mas tudo tão barulhento lá fora. Que os pingos da chuva batendo em nossa janela junto com o som da buzina dos carros e os gritos dos motoristas, formam a sinfonia do orquestra metropolitana. Mas que se dane. Aqui dentro está tudo tão calmo, que posso sentir o pulsar do seu coração, o tum tum que não diminui de volume, só acelera e desacelera. Tão calmo, que posso dizer e te escutar de qualquer canto da casa, mas não é preciso, estamos tão próximos que posso falar no seu ouvido, você fica arrepiada, gosto quando você fica assim, seus pelos lisos, sua pele macia, tudo isso me dá um fascínio, seu sorriso que desabrocha quando falo qualquer sacanagem e que termina em minha boca.
E assim vivemos até o pôr-do-sol.
Tudo tão verdadeiro lá fora, como se estivesse acontecendo o cumprimento de uma profecia. Mas que se dane. Aqui dentro está tudo tão falso, tão falso que você parece uma miragem.
João Pedro Gomes
Tudo tão vazio lá fora, como se o bem tivesse ido embora. Mas que se dane. Aqui está tudo tão cheio, que não existe nenhum espaço de carne vazio, seu sexo se encontra preenchido, e você preenche o vazio existente dentro de mim. Você me dá amor. Tanto que no auge, me perco, enlouqueço, fico movido apenas por impulsos. Choco nossos corpos um contra o outro, me lanço em seu cabelo, quero sentir bem o seu cheiro, quero guardar sua essência, sua essência.
Mas tudo tão barulhento lá fora. Que os pingos da chuva batendo em nossa janela junto com o som da buzina dos carros e os gritos dos motoristas, formam a sinfonia do orquestra metropolitana. Mas que se dane. Aqui dentro está tudo tão calmo, que posso sentir o pulsar do seu coração, o tum tum que não diminui de volume, só acelera e desacelera. Tão calmo, que posso dizer e te escutar de qualquer canto da casa, mas não é preciso, estamos tão próximos que posso falar no seu ouvido, você fica arrepiada, gosto quando você fica assim, seus pelos lisos, sua pele macia, tudo isso me dá um fascínio, seu sorriso que desabrocha quando falo qualquer sacanagem e que termina em minha boca.
E assim vivemos até o pôr-do-sol.
Tudo tão verdadeiro lá fora, como se estivesse acontecendo o cumprimento de uma profecia. Mas que se dane. Aqui dentro está tudo tão falso, tão falso que você parece uma miragem.
João Pedro Gomes
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